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Teresa Vaz Carvalho em entrevista

 

Teresa Vaz Carvalho, atleta Junior que tem surpreendido pelos seus êxitos no Atletismo, bateu mais 2 recordes nacionais (Recorde Nacional Juniores e Sub23 no Salto em Comprimento), tornou-se na segunda melhor portuguesa de sempre (atrás de Naide Gomes), e é atualmente a melhor da Europa da categoria em 2014 e a segunda melhor do mundo.

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Além do Salto em Comprimento, a atleta surpreendeu há três semanas na Velocidade, ao vencer a melhor velocista portuguesa da atualidade, Carla Tavares, em Lisboa, tornando-se a sétima melhor velocista portuguesa de sempre.

O tirodepartida.pt convidou Teresa Vaz Carvalho para uma entrevista ao site, à qual se disponibilizou de imediato e deixou ainda uma mensagem para os atletas, especialmente os mais novos.

P: Olá Teresa, um salto de 6,52 metros à primeira tentativa, no passado fim-de-semana, tornou-te na melhor saltadora portuguesa de sempre, não só no teu escalão, como de Sub-23. Como foi para ti esta conquista, sabendo também que foi a segunda melhor marca do mundo da categoria?
R: Foi uma conquista muito especial, ouvir o hino pela primeira vez e logo com um Recorde Nacional é fantástico, um momento memorável! Em relação a ser a segunda melhor marca do ano, tenho consciência que é muito boa mas não quer dizer nada pois no Mundial tudo pode mudar para melhor ou para pior. Para além do mais, o ranking só encerra no final do ano, por isso vamos ver quanto tempo a marca aguenta no top-3!

Teresa Carvalho no Meeting de LeiriaP: Com este resultado foste campeã dos Jogos do Mediterrâneo com uma larga vantagem para a segunda classificada, acrescentando mais um título ao teu palmarés, que é invejável por muitos atletas seniores. Quais são os títulos com maior significado que conquistaste? E as provas que mais te marcaram?
R: Os momentos e provas que mais me marcaram… Lembro-me muito bem da primeira vez que representei a selecção de Lisboa (Olímpico Jovem) e também a primeira vez que representei o meu país no Desporto Escolar (Jogos da FISEC), não ganhei nenhuma medalha nem nada que se pareça mas senti-me muito especial por poder fazer parte destes eventos, deram-me muita força e vontade de querer apostar no Atletismo e treinar para poder chegar às medalhas! Costumo dizer que sempre que visto o equipamento da selecção nacional me sinto uma super-heroína e penso que são esses momentos que ficam mais marcados.

P: O teu pai foi barreirista e decatlonista e a tua mãe recordista do Lançamento do Dardo. Como e quando descobriste o teu dote no Salto em Comprimento?
R: Nem eu sei bem, entrei para o Atletismo um pouco às escondidas deles mas desde cedo percebi que lançamentos não era comigo, e bater com o joelho em barreiras muito menos [risos], não conseguindo ter uma prestação uniforme e equilibrada nas provas combinadas acho que desde cedo percebi que me ficaria pela velocidade e saltos!

P: Consideras que a tua evolução genética é o grande fator do teu sucesso, ou achas que isso não tem peso nos teus resultados? Qual é para ti o principal fator do teu sucesso?
R: Bem… É normal associarmos a genética aos dotes desportivos e confesso que ajudam bastante apesar de também ter tido uma infância muito «mexida». Penso que a chave para o sucesso é suportar o sofrimento. Não passa só por treinar muito. Apesar de ser nova já tive de me privar de muitas coisas para poder estar a 100% num treino ou prova. Nutrição, recuperação, tantas coisas… Acho que o factor Psicológico é dos mais importantes, se acreditarmos que somos capazes, nada nos detém.

P: Quantas vezes treinas por semana?
R: Normalmente 6 dias por semana.

P: Alguma vez pensaste chegar a este patamar?
R: Para ser sincera sim. O meu objectivo é ir para além disto, uns Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo são o meu objectivo. Espero que seja o início de uma carreira, pelo menos vou fazer por isso.

P: Há três semanas atrás, em Lisboa, surpreendeste tudo e todos nos 100 metros, ao venceres a melhor velocista portuguesa da atualidade, com uma marca (11,72 s) que te tornou na sétima melhor velocista sénior de sempre, a segunda do teu escalão. Contavas com este resultado, ou surpreendeste-te também a ti própria?
R: Eu e o meu treinador, João Abrantes, sabíamos que eu estava muito rápida pelos tempos dos treinos e era um dos objectivos da época correr abaixo dos 11,95s (mínimos para o Mundial de Juniores) e integrar a estafeta 4x100 Nacional mas sinceramente não tinha muita noção das marcas na velocidade pelo que fiquei surpresa com a marca obtida!

P: Vais agora apostar mais na velocidade, ou vais manter-te fiel ao Salto em Comprimento?
R: Eu gosto bem mais de saltar, é verdade, mas penso que as duas provas se conciliam muito bem, por isso vou tentar dividir-me mais entre as duas.

P: Tens algum amuleto de sorte, ou ritual que faças antes de cada prova?
R: [Risos] Todos temos mas é segredo!

P: Quem são as pessoas que mais te apoiam e motivam?
R: A minha família em geral. Mas a minha mãe e o meu namorado (Diogo Antunes) são peças fundamentais, sem dúvida.

Teresa Carvalho no Meeting de LeiriaP: Quais são os teus sonhos, desejos e objetivos para esta época? E para o futuro?
R: Para a época é o Mundial de Juniores e, se possível, o Campeonato da Europa em Zurique. Para o futuro os Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundiais.

P: No fim-de-semana passado estiveste com a principal Seleção Nacional no Campeonato da Europa de Nações (I Liga) e, mais uma vez, conseguiste um bom terceiro lugar individual, embora a Seleção tenha ficado um pouco longe dos objectivos. Como classificas a prestação portuguesa na competição?
R: Penso que a nossa prestação foi bastante positiva, sabíamos desde início que não estaríamos presentes com a melhor equipa possível devido às lesões de muitos dos meus colegas de equipa e à impossibilidade de apresentar uma segunda linha tão forte como os ausentes. Tivemos alguns ‘’azares’’ com as desclassificações e demonstramos alguma inexperiência típica de uma equipa composta por inúmeros atletas jovens. Sinceramente, penso que não podem criticar a nossa participação pois acabou por haver agradáveis surpresas e a prova de que uma nova geração de atletas está a conseguir crescer, apesar de todas as dificuldades e falta de apoios que a nossa modalidade sofre.

P: Tens alguma mensagem que queiras deixar aos nossos leitores?
R: Talvez uma mensagem para os mais novos… Enquanto fui crescendo como atleta fui-me deparando com muitas desistências de jovens atletas cheios de talento e muito promissores que se tivessem tido uma conjuntura e um apoio como o que tive nos maus momentos poderiam estar hoje com resultados de topo e a representar o país ao mais alto nível! Sinceramente, espero que não desistam nunca dos vossos sonhos e lutem sempre por aquilo que querem e gostam, o caminho não vai ser sempre a subir mas também não vai ser sempre a descer. Eu como atleta Iniciada e Juvenil sofri algumas lesões que me impossibilitaram de ter uma evolução típica do crescimento maturacional. Nunca ganhei um Olímpico Jovem e não bati recordes de iniciados e juvenis, muito menos o meu recorde pessoal todos os anos, mas não foi por isso que baixei os braços! Hoje sinto-me feliz por saber que continuo na luta pelo sonho e que o meu esforço começa a dar frutos! Não Desistam! Acreditem em vocês!

 

Veja o perfil de Teresa Vaz Carvalho aqui.






 Informação

24
Junho 2014


00h00


Sérgio Teixeira



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